Policiais civis do Distrito Federal se reuniram em assembleia nesta sexta-feira (4), em frente ao Palácio do Buriti, e decidiram manter a greve iniciada na última terça-feira (1º). O sindicato da categoria (Sinpol-DF) diz que a cartilha de paralisação continuará a ser seguida até a próxima terça (8), quando será feita nova votação. Cerca de 250 agentes participaram da assembleia, segundo a entidade.

Até as 17h desta sexta, o Sinpol dizia não ter sido notificado da decisão judicial desta quinta (3) que determinou o fim da greve. Na sentença, o desembargador Hector Valverde, da 2ª Câmara Cível, ordena que a corporação retome 100% do efetivo e desconsidere a “cartilha de greve” elaborada pelo sindicato. A entrada de policiais e cidadãos nas unidades de atendimento também deve ser liberada.

Além da continuidade da greve, os policiais também aprovaram a realização de um ato de protesto no dia 7 de setembro, durante o desfile oficial das Forças Armadas. A categoria deve se reunir às 9h em frente ao Museu da República. Os detalhes do protesto não foram informados pelo Sinpol.

Os agentes de Polícia Civil continuaram reunidos em frente ao Palácio do Buriti após a assembleia, que foi encerrada oficialmente às 17h. Segundo o Sinpol, uma comissão de negociação se reuniu com o governador Rodrigo Rollemberg por volta das 17h15 para discutir as reivindicações da categoria. O Palácio do Buriti informou que a reunião foi feita com o secretário-adjunto de Relações Institucionais, Manoel Alexandre.

Trabalho reduzido
Durante a greve, o atendimento foi restrito em todas as delegacias: apenas flagrantes e denúncias de crimes considerados graves – como homicídio e estupro – são registrados. Cartazes foram afixados nas mais de 30 unidades, informando a situação. Os estabelecimentos trabalham com 100% do efetivo, mas mantendo 70% só da produção.

Os flagrantes são registrados apenas nas sete principais unidades: 1ª DP (Asa Sul), 5ª DP (Asa Norte), 13ª DP (Sobradinho), 20ª (Gama), 21ª (Taguatinga), 23ª (Ceilândia) e 27ª (Recanto das Emas). De acordo com o Executivo, caso o pedido seja acatado, os profissionais deverão retornar ao trabalho imediatamente. O presidente do sindicato, Rodrigo Franco, afirmou que ainda não foi notificado da decisão.

A greve ocorre por tempo indeterminado. A categoria pede ainda que critérios para transferências internas dentro da própria carreira sejam melhor definidos. Em média, policiais civis em início de carreira recebem R$ 7,5 mil no DF.

“A categoria está muito insatisfeita. Nossa última reestruturação foi em 2006. Estamos prejuízo salarial de 50%”, afirmou Franco. “A crise pegou o governo federal, o Distrito Federal, mas os trabalhadores também.”

O GDF informou não ter como convocar os aprovados em concurso por ter extrapolado a Lei de Responsabilidade Fiscal. Dados da Polícia Civil apontam que a corporação tem um déficit de 47% no efetivo, que não seria resolvido nem com a convocação de todos os aprovados e a contratação do previsto nos certames em andamento.

A instituição conta atualmente com 4,7 mil membros, quando o estipulado em 2013 pela Presidência da República, que repassa verba à segurança pública do DF por meio do Fundo Constitucional, deveria ser 8.969 servidores. O número também é menor do que o preconizado por lei distrital de 1993, que determinava em 5.940 o número de servidores naquele ano para atender a população de então 1,6 milhão de habitantes.

 

fonte: http://g1.globo.com/distrito-federal