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Operação Trickster: polícia apreende computadores e celulares para investigar rombo no transporte público

Desvios pode superar R$ 1 bilhão, segundo investigação. Servidora do DFTrans está entre alvos.

Computadores, celulares e documentos foram apreendidos na madrugada desta segunda-feira (12) em três endereços de Brazlândia, região do Distrito Federal, e Águas Lindas de Goiás, no Entorno do DF, durante mais uma fase da operação Trickster, que investiga desvios de mais de R$ 1 bilhão no transporte público da capital.

Os mandados de busca e apreensão tinham como alvo uma servidora do DFTrans e um ex-funcionário de um dos empresários investigados na primeira fase da Trickster.

Segundo a Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor e a Fraudes (Corf) e da Polícia Civil do DF, a servidora do órgão é suspeita de envolvimento em crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e peculato. O outro homem pode ser indiciado por corrupção ativa, associação criminosa e estelionato.

Os nomes dos alvos das operações não foram divulgados pela polícia.

Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Trickster — Foto: Polícia Civil do DF/DivulgaçãoPolícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Trickster — Foto: Polícia Civil do DF/Divulgação

Operação Trickster

Durante a ação, a Polícia Civil tentou reunir mais materiais para comprovar as irregularidades denunciadas pelo Ministério Público do DF.

Em abril, o MP denunciou à Justiça cinco pessoas suspeitas de participarem do esquema de fraude do Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) do DFTrans. Um dos denunciados, o auditor fiscal Pedro Jorge Oliveira Brasil, teria criado empresas fantasmas e se aproveitado do trabalho para vincular nestas companhias funcionários falsos que passavam a receber vale-transporte.

Auditor fiscal Pedro Jorge Brasil ao ser preso, em abril — Foto: TV Globo/ReproduçãoAuditor fiscal Pedro Jorge Brasil ao ser preso, em abril — Foto: TV Globo/Reprodução

O sistema da autarquia registrou que um mesmo cartão de vale-transporte chegou a ser utilizado 60 vezes, em apenas uma linha de ônibus, em um prazo de oito segundos. A estimativa da polícia é de que os desvios desde 2014 ultrapassem R$ 1 bilhão.

A divisão de tarefas era feita assim:

  • Inseridores: colocavam as empresas fantasmas e os funcionários falsos no sistema do DFTrans, dando início ao esquema;
  • Validadores: validavam a compra de crédito de vale-transporte para os cartões gerados de forma fraudulenta;
  • Descarregadores: permissionários que descarregavam os cartões nos ônibus; transformavam os créditos do vale-transporte em dinheiro em espécie.

Depois da operação, o diretor do DFTrans, Léo Carlos Cruz, foi exonerado do cargo e substituído por Marcos Tadeu de Andrade, controlador-geral adjunto do DF.

O novo diretor do órgão assumiu as funções em abril. Desde então, aplicou uma série de mudanças na gestão para evitar novas fraudes: nomeação de um diretor técnico para o sistema de bilhetagem, a aplicação de análise automática antes dos pagamentos às empresas e a diminuição dos cargos políticos no DFTrans.

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