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Brumadinho: peritos do DF ajudam na identificação das vítimas do desastre; conheça equipe

Material genético é fundamental para identificar corpos soterrados pela lama. Motivação em meio à tragédia é ‘aliviar a dor dos familiares’, diz diretor.

Foram 15 dias de trabalho até agora, incluindo quatro na chamada “zona quente” de Brumadinho. Desde o fim de janeiro, quando o rompimento de uma barragem na cidade deixou centenas de mortos e desaparecidos, equipes da perícia técnica da Polícia Civil do Distrito Federal atuam em conjunto com a polícia mineira na procura e na identificação dos corpos.

No local onde o maior obstáculo é a lama ainda úmida e há uma quantidade imensa de destroços, o serviço tem de ser feito com muito cuidado. Mesmo para quem já trabalhou em grandes tragédias, o cenário impressiona.

Perito do DF Samuel Ferreira na área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG) — Foto: Arquivo pessoal

Perito do DF Samuel Ferreira na área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG) — Foto: Arquivo pessoal

“A gente se emociona, mesmo com a experiência. Nos motiva no trabalho, para identificar o mais rapidamente e dar a resposta às famílias, para que possam viver seus lutos”, diz o médico legista Samuel Ferreira.

Ferreira é geneticista forense e diretor do Instituto de Pesquisa e DNA Forense do DF, vinculado à Polícia Civil. Nesta semana, ele esteve em Brumadinho dando apoio e orientação ao trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros.

O trabalho da perícia técnica é concentrado em identificar os corpos, para dar essa primeira resposta às famílias. Até este domingo (10), mais de 500 amostras de DNA dos familiares dos desaparecidos já tinham sido coletadas. O material genético dos vivos será comparado com as vítimas encontradas, nos casos em que não for possível a identificação por outros métodos.

Time de peso

Peritos do DF Samuel Ferreira, Heloisa Costa, Malthus Galvão e Jurema de Morais — Foto: Arquivo pessoal

Peritos do DF Samuel Ferreira, Heloisa Costa, Malthus Galvão e Jurema de Morais — Foto: Arquivo pessoal

A equipe de Brasília no instituto é referência nacional no trabalho de identificação de corpos e ossadas. O médico coordenou a identificação das ossadas encontradas na vala clandestina do cemitério de Perus (SP), e também fez parte do grupo que identificou as 154 vítimas do acidente com o voo 1907, da Gol.

Além de Ferreira, outros quatro servidores do Departamento de Polícia Técnica de Brasília – especializados em identificação humana e com experiência em desastres de grandes proporções – foram convidados a se unir ao corpo técnico do IML de Minas Gerais para auxiliar na identificação das vítimas.

“A emoção de encontrar um corpo é o que motiva, dentro de uma tragédia como essa. Saber que essa resposta vai aliviar, de alguma forma, a dor dos familiares. Preservar a lembrança.”

A “zona quente”, citada no começo da reportagem, é a área mais próxima da barragem que veio abaixo. Ela inclui, por exemplo, o lote da pousada que foi devastada pelas toneladas de lama que vazaram.

Perito do DF Samuel Ferreira na área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG) — Foto: Arquivo pessoal

Perito do DF Samuel Ferreira na área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG) — Foto: Arquivo pessoal

A equipe de peritos do DF atua tanto nas atividades de campo quanto no Instituto Médico Legal (IML) e no laboratório. É um trabalho de muitas mãos, devido à natureza do desastre e ao estado dos corpos.

A ação coordenada reúne, por exemplo, as áreas de medicina legal, antropologia forense, genética forense, odontologia forense e papiloscopia.

“Ao identificar uma vítima, utilizamos a ciência para ajudar as famílias no campo existencial e subjetivo, resgatando, de certa forma, a memória daquela pessoa que partiu a seus familiares.”

Trabalho de identificação

A equipe que viajou do DF para Brumadinho é formada pelo médico legista Malthus Galvão, a perita criminal Heloisa Costa e a papiloscopista Jurema de Morais.

Junto ao corpo técnico de MG, o grupo de Brasília atua no registro, no cadastro, na identificação e na liberação dos corpos que chegam de Brumadinho. Os profissionais também emitem parecer com a declaração de óbito dos corpos. Um banco de dados foi montado com os achados, para aprimorar a definição das identidades.

Peritos Malthus Galvão, Heloisa Costa e Samuel Ferreira analisam resultados de exames periciais para identificar vítimas de Brumadinho (MG) — Foto: Arquivo pessoal

Peritos Malthus Galvão, Heloisa Costa e Samuel Ferreira analisam resultados de exames periciais para identificar vítimas de Brumadinho (MG) — Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o médico, o maior desafio no momento é localizar e resgatar os corpos. Uma vez resgatados, todas as informações necessárias para as identificações estão sendo coletadas e analisadas pelas equipes em um ritmo considerado “muito bom”.

“ A perícia de MG está de parabéns pelo excelente trabalho que está realizando, tanto na parte de gestão como na parte técnica-científica responsável pelas perícias.“

“É uma honra sermos convidados pelos colegas de Minas e representarmos a Polícia do DF nesse trabalho tão importante em respeito e em memória às vítimas e de extrema relevância para as famílias, para Minas Gerais e para o país”, diz Ferreira.

Peritos do DF e de MG, em ordem: Franklin Marotta, Samuel Ferreira, Thales Bittencourt, José Roberto Costa, Malthus Galvão, Ricardo Araujo e João Batista Rodrigues — Foto: Arquivo pessoal

Peritos do DF e de MG, em ordem: Franklin Marotta, Samuel Ferreira, Thales Bittencourt, José Roberto Costa, Malthus Galvão, Ricardo Araujo e João Batista Rodrigues — Foto: Arquivo pessoal

Tragédia em MG

O rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), no último dia 25 de janeiro, deixou um rastro de lama, pessoas mortas e desaparecidas, e destruiu casas na região.

A avalanche de lama atingiu a área administrativa da Vale, responsável pelo empreendimento, inclusive um refeitório e parte da comunidade da Vila Ferteco. Até o momento, 157 mortes foram confirmadas e 165 pessoas seguem desaparecidas.

Segundo o presidente da empresa, Fábio Schvartsman, vazaram 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos – na tragédia de Mariana, há 3 anos, foram 43,7 milhões.

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